Agosto de 2004, perto da feira central, no
bairro de São Francisco, caminha uma jovem índia
carregando na cabeça uma grande bacia com
guariroba e outros produtos da aldeias. Ela os
oferece timidamente a quem passa e também batem
às portas das casas na esperança de vender toda
a carga. Para os que não apreciam o sabor da
guariroba, há o pequi; quanto ao preço, ela
reduz o possível para não perder o freguês. Na
conversa, diz que é terena e que seus filhos
estudam na escola da aldeia urbana de campo
Grande.
Terena era provavelmente o povo indígena que
habitava aqui quando a comitiva fundadora de
José Antonio Pereira chegou. Tudo indica que
eles constituam a matriz indígena da população
de Campo Grande. O Censo de 1991 pela primeira
vez os contou separadamente e indicou 1.336
índios em Campo Grande, em sua maioria Terena.
Os Terena constituem a segunda maior
população indígena do Estado com aproximadamente
20 mil indivíduos, recenseados no início da
década de 90. A maioria de sua população ainda
vive nas aldeias, mas um número crescente de
Terena tem migrado para as cidades para viver
como índios desaldeados.
Desde a
Guerra do Paraguai, o território Terena,
inicialmente espalhado entre os rios Miranda e
Aquidauana, foi reduzido em mais de 2 mil
hectares. Das 12 áreas em que vivem as
principais são: Lagoinha, Água Branca, Bananal e
Ipegui em Taunai; Limão Verde e Córrego Seco em
Aquidauana; Buriti em Sidrolândia; Brejão em
Nioaque e área do Desbarrancado em Campo Grande.
A
língua e costumes descendem do tronco Aruak,
assim como os Parecis e outros.Os Terena têm a
tradição da agricultura e é a nação indígena que
melhor se adaptou à economia do civilizador no
Estado, graças a sua tradição de índios
pacíficos e que se subordinam com facilidade às
relações hierárquicas.
Então divididos em dois grandes grupos: os
Xumanô e Subiribianô. Quanto à organização
interna, os Terena obedecem a uma escala
hierárquica com denominação de Naati, Waherti,
Txamé e Kauti. Entre esses extratos ou camadas
estão os integrados e os cativos, compondo uma
rica e complexa cultura no modo de vida das
aldeias Terena.
Os que sobreviveram nas aldeias produzem Bens
comercializáveis como o palmito, feijão verde,
milho, mandioca, jenipapo, laranja, caju, pequi,
etc. Os Terena são uma referência na cidade de
Campo Grande onde comercializavam seus produtos
na feira indígena do mercadão, na feira central
e pelas ruas centrais da cidade.
Revista
“Expressão” – Ano 1 –
Edição Nº 3 – setembro de 1997