Ofayé Xavante

Kadiwéu

                                       

      

 

           

 

           

Os Ofayé, há séculos, convivem com a perseguição, a violências e  o extermínio. O primeiro contato aconteceu durante a chamada ciclo do Ouro da América Latina quando, os tradicionais habitantes  da margem direita do rio Paraná, foram praticamente dizimados. Entre 1590 e 1700, exploradores exterminaram milhares de Ofayé Xavante.
         Em 1880 os Ofayé são obrigados a deixar seu local de habitação natural nos Campos de Vacaria, atualmente município de rio Brilhante. Seguiram divididos para as regiões de Aquidauana, Baitaporã, para as margens do Rio Tietê no Estado de São Paulo e para a região dos rios Ivinhema e Anhanduí. Por sua cultura nômade, precisavam de grandes espaços de terra para caçarem sua sobrevivência.
          No início do século a colonização, nas regiões onde viviam os 900 Ofayé que ainda restavam, é acelerada com a instalação de fazendas  que passavam a demarcar suas terras com cercas de arames, impedindo o livre trânsito dos índios. A organização fundiária foi fatal para a sobrevivência dos Ofayé, que eram perseguidos quando entravam nas fazendas para caçar, ou simplesmente para se locomover.
          Em 1941 restava apenas 200  OFAYÉ, VIVENDO NA REGIÃO ONDE HOJE SE LOCALIZA O Município de Brasilândia, que ainda matem seus costumes, o modo de sobrevivência e a língua.
         Em 1970, o antropólogo Darcy Ribeiro, que pesquisava desde a década de 40, considerando-os extintos como identidade étnica. Em 1976, o jornal O Estado de São Paulo divulga que restavam ainda 24 indivíduos remanescente dos Ofayé, vivendo em total isolamento na região.
          Com a divulgação da notícia, os fazendeiros instalados nas proximidades da área, que pertencia anteriormente aos Ofayé, se organizaram para expulsá-los, evitando que os índios reclamem suas terras de volta.
           Em 1978 a FUNAI decide mandar os Ofayé para a reserva dos índios Kadiweo, na região da Serra de Bodoquena, no município de Porto Murtinho, um lugar com situação geográfica muito diferente daquela que os Ofayé estavam acostumados, prejudicando sua sobrevivência e sua cultura.
           Jogados e desamparados, numa terra que não conheciam, permanecem durante 8 anos passando fome e sendo ameaçados por fazendeiros da região que usavam a reserva indígena para produção própria. Também um grande número de posseiros  invadiu a reserva Ofayé durante esses 8 anos, gerando mais violência.
             Em 1986 os Ofayé são transferidos para uma área no município de Brasilândia, na região que seria inundada com a construção da barragem de Porto Primavera.
              Hoje, os Ofayé Xavantes estão definitivamente instalados  numa área de 484 hectares, no município de Brasilândia . Na aldeia vivem apenas 14 famílias, que recebem cestas básicas da CESP para ajudar na sua sobrevivência, já que os Ofayé, por sua origem de nômades caçadores, não têm tradição de produção agrícola comercial. Muitos índios acabam indo trabalhar e morar fora da aldeia, quebrando a continuidade da cultura Ofayé. Mesmo assim, muitos ainda falam a língua e lutam bravamente para a sobrevivência da cultura milenar de seu povo.

Texto retirado da revista
“Expressão” ano 1

– Edição nº 6/outubro de 1997

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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