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Rica área formada pelo afundamento da crosta terrestre, o Pantanal
constitui a maior extensão de terra periodicamente inundável do
continente americano com a maior concentração da fauna.
O Pantanal, englobando terras de Mato
Grosso, Mato Grosso do sul, Bolívia e Paraguai, é um dos mais
complexos e ricos ecossistemas do mundo, integrando junto com a
Floresta Amazônica brasileira o maior banco biológico planetário,
reserva extraordinária de recursos que ainda estão longe de possível
esgotamento. Essa formidável planície tem cerca de 600 quilômetros
de extensão norte-sul e 200 quilômetros de largura máxima. A
altitude varia entre 100 e 200 metros, com alguns maciços isolados,
como o do Urucum (600 metros). Os trechos mais baixos do terreno
apresentam pequenas lagoas de forma circular ou oval, típicas da
região, denominadas baías. O Pantanal é limitado ao norte, sul e
oeste pelas encostas e escarpas do Planalto Brasileiro e, a leste
pelo território paraguaio. A denominação pantanal dá a falsa
impressão de uma área permanentemente alagada e pantanosa. Na
realidade a região é inundada apenas nas cheias do Rio Paraguai e de
seus afluentes (Miranda, Taquari, São Lourenço e outros). Na época
das chuvas (verão) as ou argiloso, cobre-se de gramíneas e
leguminosas após as chuvas, o que constitui excelente pastagem para
a criação de gado que tradicionalmente ali se desenvolve. O cerrado
ocorre nas áreas mais acima do nível das cheias (cordilheiras)
entremeado a capões de mata, em meio dos quais cresce o quebracho
(de onde se extrai o tanino). Todo esse conjunto de formação de
vegetais recebe o nome de Complexo do Pantanal.
A
fauna é extremamente rica, com grande variedades de répteis e de
aves. Os rios do Pantanal são considerados os mais piscosos (em que
há muito peixe) do mundo. Os danos à ecologia avolumam-se, no
entanto, à medida que se intensifica a ocupação humana do Pantanal
(caça, pesca e garimpos predatórios). Esse verdadeiro paraíso
ecológico tem sofrido agressões sofridas pondo em risco seu delicado
equilíbrio. As providências tomadas pelas autoridades dos dois
estados brasileiros (MT e MS) são deveras insuficientes , pois
estamos assistindo a uma intensificação da ocupação humana,
inclusive com o surgimento de um incipiente e perigoso fluxo
turístico. Além dos impunes violadores da fauna e da flora
pantaneira, agigantando-se os plantadores de soja, com áreas
imensas, provocando o assoreamento de vários rios importantes, com
conseqüências desastrosas para o ecossistema. O garimpo e a
minerações têm poluído os rios com toneladas de mercúrio.
O Pantanal está
situado na região oeste do Mato Grosso do Sul, onde conquistamos,
com a divisão de Mato Grosso, cerca de 150 000 quilômetros
quadrados, o maior trecho de terras pantaneiras. É quase
incalculável o número de espécies que vivem no Pantanal
sul-matogrossense. Só de espécies de peixes existem entre 260 e 280.
Entre as aves chega-se ao número de 1000 espécies, entretanto o que
encanta, naturalmente, é que nenhum outro lugar do Brasil se vêm
tantos bichos selvagens.
O símbolo do Pantanal é o tuiuiú, conhecido também por jaburu ou
cabeça-seca, uma das maiores aves da América do Sul e que chega a
mais de um metro de altura na fase adulta. Decolagens de tuiuiú são
atrações à parte. Pelo tamanho, ele precisa dar uma corridinha para
“pegar no tranco” antes de alçar vôo. No ar, seu jeito desengonçado
dá lugar a um dos vôos mais elegantes e serenos entre todas aves
pantaneiras.
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Texto retirado do livro
“O Paladinho do Pantanal",
Reginaldo Alves de Araújo
1ª edição – ano 2002
Livro "Mato Grosso do Sul" de
Paulo Renato Coelho Netto
Paladinho= Brava defensor de uma causa
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