Quilombo

em

Mato Grosso do Sul

            Mato Grosso do Sul também possui ajuntamentos populacionais que podem ser considerados Quilombos, isso analisado dentro do contexto da luta pela liberdade e pela terá por parte dos negros .
            Podemos citar pelo menos três grupos  populacionais: Furnas dos Dionísio, Furna de  Boa Sorte e São Benedito.  Os dois primeiro, comunidades rurais , já São Benedito é hoje um dos muitos bairros de Campo Grande.
            A respeito do passado desses núcleos o que se sabe chegou aos dias atuais através da cultura oral. Nos três casos, as informações conduzem a que os  antepassados  das comunidades teriam vindo para a região logo no fim do período escravista, de Minas Gerais e Goiás.
             Furna de Dionísio leva esse nome porque  o seu primeiro morador teria sido um senhor conhecido pelo nome de Dionísio, que chegou naquelas terras, localizadas dentro dos limites do município de Jaraguari a cerca de 100 anos atrás. Furnas  está a 40 Km da Capital.
              São Benedito, por sua vez, teria como sua primeira morada  a matriarca Eva Maria de Jesus. Segundo os que contam os seus descendentes, Eva era benzedeira e possuía uma inabalável fé católica. Construiu em torno de 1910, uma pequena igreja de madeira , hoje reconstruída  em alvenaria  e conhecida na cidade como A Igrejinha. Anualmente os  descendentes de Eva  realizam a festa de São Benedito, na semana do 13 de maio,festa que existe a pelo menos 70 anos.
               Furnas de Boa Sorte e a comunidade mais distante de Campo Grade, 100 Km, e está dentro da jurisdição do município de Corguinho. Boa sorte tem a sua trajetória histórica  menos definida, e em comparação com as outras comunidades, é o núcleo com menos infra-estrutura.
                Desde 1995, entidades do movimento negro tem realizado um trabalho social e político com esse três ajuntamentos populacionais. No mesmo ano, delegados dos três Quilombos  participaram do 1º Encontra Nacional de Comunidade Negras Rurais,em Brasília-DF. A contribuição dos filhos da diáspora africana, todos os desdobramentos culturais, científicos  e populacionais no Brasil não forma minimamente contabilizados.
                Nos aspectos históricos, afora a existência dos Quilombos, há outros fatos que recebem relevo, como a participação dos escravos negros na Guerra do Paraguai. Há dados que calculam em um milhão, o número de escravos que morreram durante os combates. Muito, se tivermos como referência, que a população afro-descendente naqueles anos, somava 2,5 milhões. Não obstante, em território brasileiro pouco se fala dessa participação. No Paraguai, os quadros e representações do conflito habitualmente definem como negróides os brasileiros que destruíram o país.

           

Revista Expressão  - Ano 1 –
Edição Nº 6/ outubro de 1997

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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