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De
você eu queria mais
Meu
pai, de você eu quero mais
mais
que o espermatozóide que me deu a vida
mas
que não me deu você!
Eu
queria mais, meu pai,
que
os setes minutos
que
durou o abraço que me transferiu o existir,
e
depois dos quais você não teve mais tempo
para
o que eu chamava deu amor.
Meu
pai, de você eu queria mais
que
o nome na carteira de identidade,
mas
a minha própria identidade,
um
ser, não um número, mais algo,
que
você valorizasse
o meu eu, o meu ver,
que
eu era...
Meu
pai,de você eu queria mais
que
o simples procriar ,
mas
que você me quisesse criar
e
fazer crescer
em idade,
em
conhecimento, em virtude.
Meu
pai, de você eu queria mais
Que
a palavra fácil e quantas vezes enganosas,
Mas
o exemplo difícil, o procedimento penoso
Mas
seguro rumo aonde realmente chegar.
Meu
pai, de você eu queria mais
Que
o dinheiro que me dava :
Dando-me
cada vez mais para justificar
O
seu silêncio,
Ou
para comprar o meu,
Você
me fazia valer cada vez menos.
Meu
pai, de você eu queria mais,
Que
a relação de mulheres que você conquistou,
Das
moças que você “faturou “;
Em
realidade, eu queria mais:
Eu
queria que a mulher de que nasci
Tivesse
sido, para você, a sua verdadeira mulher,
E
não alguma coisa apenas ,
Dos
muitos trastes que as pessoas sempre foram para
você,
Inclusive
eu mesmo.
Meu
pai, de você eu queria mais
Que
as frases apressadas ,
Que os “não
tenho tempo”,
Que
os “faça como quiser”
Que
os “isso
não tem importância”.
Meu
pai, de você eu queria mais
Que
o castigo sem me ouvir antes ,
Que
a falta de castigo quando eu merecia,
Que
as explosões nervosas, quando você estava em
fúria,
Que
silêncio, quando você estava indiferente.
De
você, pai, eu queria mais
Que
o dedo em riste, mas a mão amiga,
Que
o faça o que eu digo, mas não faça o que eu
faço.
Meu
pai, de você eu queria mais,
Mais
que a macheza, a firmeza masculina,
Mais
que a força, a serenidade no compreender,
Mais
que a violência , a consciência e a
fidelidade,
Mais
do que o dinheiro, o trabalho,
Mais
do que seus títulos, seu prestígio, seu nome;
Eu
queria simplesmente você, meu pai,
Você
você, eu eu, nós nós.
E
é por isto pai, que,
agora,
Eu
me arrebento e me desfaço em pedaços,
Porque
vi que não tive mais,
E
nem o que eu poderia ter recebido,
Mas
sempre menos, sempre nada...
É,
pai, é duro, mas eu não vejo outro jeito
Senão
dizer em meu desespero:
Pai,
de você eu queria mais que um espermatozóide!
José Wanderley Dias
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